segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Fraseando...


de: Pr. Ariovaldo Ramos

Deus é tão bom, que, a cada dia, me exercito em perceber os seus milagres, em tudo e em todos.
Na ressurreição do Cristo comemoramos o dia em que a humanidade venceu. A partir do que, tudo é, apenas, uma questão de tempo!
Deus se realiza em nos fazer gente feliz!
Ser cristão é subir uma escada rolante: não é você que sobe a escada, é a escada que sobe você.
A divisa da Igreja: cada cristão como o Cristo; cada comunidade local como a Trindade; cada pessoa tendo a oportunidade de entrar no Reino; a sociedade humana como o Reino; e o planeta como o Jardim.
O segredo do cristão não é nunca pecar, mas sempre se arrepender.
Santidade é dedicação exclusiva à Trindade.
A vitória do cristao, não é não passar pelo sofrimento, é não ser derrotado por ele.
Sofrer é um verbo que o cristao não precisa conjugar.
Dar, a Deus, graças, em tudo, é colocar a vida nos braços do Pai.
De arrependimento em arrependimento somos, pelo Espírito, transformados à imagem do Cristo: a glória de Deus!
Somos filhos do Deus que sempre quis ser o nosso Pai.
Estar em Cristo, desde antes da fundacao do mundo, é ter certeza de que a sua existencia não foi um acidente... Alguém queria você.
A cada vez que, em nossa forma de viver, atendemos ao Cristo, a exemplo dos garcons do casamento em Caná, nos tornamos agentes de milagres.
Nem sempre entendemos o que o Cristo nos pede, mas sabemos que redundará em algum milagre para o bem de muitos.
Ter ao Cristo, como o principal convidado em nossa vida, é saber que tudo pode recomecar, não importa o que aconteca.
Todos estamos sob a lei da impossibilidade, quando tudo, o que possa ser feito, escapa ao nosso controle. Só o milagre vence essa lei. O cristao vive na esperanca do milagre... Sempre.
Vida cristã é andar sobre as águas, logo, só pode ser vivida no poder do Espírito.
Renovar o entendimento é saber que o que se sabia sobre ser sustentado pelas aguas mudou, desde que Cristo andou sobre elas.
A glória de Deus é ter misericórdia de quem quiser, logo, a glória de Deus passa por nós.

sábado, 28 de agosto de 2010

A igreja e seu relacionamento com o mundo


Pastorial de: Rev. Hernandes Dias Lopes

Li algures que alguém foi procurar a igreja e a encontrou no mundo; foi procurar o mundo e o encontrou na igreja. A igreja é um povo chamado do mundo para ser enviada de volta ao mundo como luz do mundo. A igreja está no mundo, mas o mundo não pode estar na igreja, assim como a canoa está na água, mas a água não pode estar na canoa. Jesus, em sua oração sacerdotal falou-nos sobre essa relação da igreja com o mundo. Vamos mencionar aqui três pontos que Jesus destacou:

1. A igreja não é do mundo (Jo 17.14). “… o mundo os odiou, porque eles não pertencem ao mundo…”. A igreja de Deus não procede do mundo, por isso é odiada pelo mundo. Nascemos de cima, do alto, de Deus, do Espírito. O céu não é apenas nosso destino, mas também nossa origem. Somos estrangeiros e peregrinos no mundo. Aqui não é nosso lar permanente. Não podemos amar o mundo, pois aquele que ama o mundo, o amor do Pai não está nele. Não podemos ser amigos do mundo, pois quem quiser ser amigo do mundo, tornar-se-á inimigo de Deus. Não podemos nos conformar com o mundo para não sermos condenados com o mundo. É uma tolice, portanto, pensar que vamos conquistar o mundo imitando o mundo. Devemos viver uma contracultura. Devemos viver aqui como filhos da luz, como cidadãos dos céus.

2. A igreja é guardada do mundo (Jo 17.15). “Não oro para que os tires do mundo, mas sim, que os livres do mal”. Não somos eremitas que se escondem em mosteiros. Não somos tirados geográfica e fisicamente do mundo. Somos guardados no mundo e do mundo. Nosso ministério acontece aqui. Nossa luta é travada aqui. Estando no mundo, somos a luz do mundo. Vivendo aqui, somos o sal da terra. Não somos arrancados do mundo, mas protegidos do maligno, o príncipe do mundo. O mundo sempre irá nos odiar, porque não pertencemos ao mundo como Jesus não o pertence. Porque o mundo odeia Jesus, ele também odeia a igreja, porque Jesus está na igreja e com a igreja. Não obstante, sermos alvos do ódio do mundo e dos ataques do maligno, nós não precisamos temer, pois somos guardados e protegidos por Jesus. Não estamos envolvidos numa missão de risco. Não entramos nessa peleja com a possibilidade da derrota. Já somos mais do que vencedores em Cristo Jesus. Nossa segurança está nas mãos daquele que criou o universo e sustenta todas as coisas pela palavra do seu poder. Nele vivemos, nos movemos e existimos.

3. A igreja é enviada de volta ao mundo (Jo 17.18). “Da mesma maneira como me enviaste ao mundo, eu os enviei ao mundo”. A igreja não é do mundo, é chamada do mundo, é guardada do mundo, santificada no mundo e enviada de volta ao mundo como testemunha de Cristo. Assim como Jesus desceu do céu e se fez carne e habitou entre nós; assim como Ele se inseriu no meio dos homens, também, devemos estar presentes no mundo, não para sermos assimilados pelo mundo, amar o mundo, ser amigos do mundo e conformarmo-nos com ele, mas para sermos embaixadores de Deus, rogando aos homens que se reconciliem com Deus. A igreja é a agência do reino de Deus no mundo. A igreja é uma embaixada do céu na terra. O reino de Cristo não é deste mundo. O mundo vai passar e não temos aqui herança permanente. Nossa Pátria está no céu. Nossa herança está no céu. Vivemos aqui por causa da nossa missão. Nosso papel aqui é glorificar a Deus e anunciar sua glória entre as nações. Nossa missão é chamar os homens de todas as raças, povos, línguas e nações a se arrependerem e crer no Bendito Filho de Deus. Somos embaixadores de Cristo, arautos do Rei, ministros da reconciliação, portadores de boas notícias. Fomos tirados do império das trevas para sermos filhos da luz e luzeiros do mundo. Fomos arrancados da potestade de Satanás para anunciarmos ao mundo o reino da graça e o reino de glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo. Fomos desarraigados deste mundo tenebroso para proclamarmos ao mundo que Cristo morreu, ressuscitou e vai voltar em majestade e glória para julgar os vivos e o mortos.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Em busca de mim mesmo


Texto de: Pr. Ricardo Gondim

Desde que me entendo por gente, já se passaram muitos séculos, parece.

Eu disquei em telefones de baquelite preta; aprendi datilografia repetindo "asdfg" mais de um milhão de vezes; voei em avião movido a hélice e sem pressurização; cantei os jingles de "quem bebe Grapette repete"; acompanhei a desastrosa Copa de 1966 pelo rádio; estudei em escola pública; fui patrulhado por um infiltrado da ditadura, meu professor de Organização Social e Política Brasileira, o famigerado OSPB, porque escrevi "proletário" em um trabalho de conclusão de curso.

Decididamente não venho deste século. Jurássico, canto com Louis Armstrong: "I hear babies cry, I watch them grow /They'll learn much more than I'll never know".

Depois de tudo, tudo, continuo a perguntar: "Quem sou eu"? Perplexo, não sei delinear a moldura que me distingue dos outros.

Sou um universo de subjetividades;

a mistura dos sons, paladares e cores de minha terra natal;

o tamborilar de chuva em telha de barro, que ressoa desde um quarto antiquíssimo;

a memória sobrevivente de ancestrais defuntos;

o aroma da velha cozinha onde vovó fazia vatapá;

a ruptura de desejos pueris;

o assistente de tragédias sem reposta;

a sintaxe imprecisa de um idioma que se fez minha pátria;

a sede do transcendente que reluz em meus olhos de menino inquieto;

a encarnação do medo perene de rejeição;

o anseio carente de um colo acolhedor;

a negação de fracassos prenunciados;

a vertebração de perseverar como dever;

o profeta da força avassaladora da impotência;

o filho que alterna o terno e o insensível;

o pêndulo que oscila da melancolia para a euforia;

o covarde que se revela audaz;

o corajoso que claudica;

o cético pleno de fé;

o santo que se sabe reles.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Sábio

Texto de: Pr. Ariovaldo Ramos

Diário de Bordo

Pv 14

O sábio edifica a casa; caminha com retidão e em silêncio; sabe que não há benefício sem custo; é prudente, porque a prudência é o nascedouro da sabedoria; aprende com a vida, principalmente a sua; é benevolente com o pecador; desconfia de si; tem uma alegria cônscia da tristeza; vigia o seu coração; confere pela pesquisa a informação que recebe; diz a verdade; desvia-se do mal e da iracúnia; busca o conhecimento; é compassivo e pratica o bem; é apegado ao trabalho; respeita a Deus; é longânimo, pois entende o que acontece com o outro, e busca ter sentimentos sadios; sabe que só é possível governar a partir das bases populares, e opta pelo pobre, porque só com justiça se faz uma nação.

Aforismos:

A inveja apodrece os ossos.
A impaciência é loucura.
As palavras do tolo o condenam.
A sujeira a ser limpa no estábulo deve equivaler à força disposta na aragem da terra,
Só os que levam a vida a sério alcançam sabedoria.
É o fim e não a aparência que deve determinar que caminho assumir.
Só o tolo acha que há efetividade na raiva.
A fala que não se traduz em ação, empobrece em todos os sentidos.
O só respeitar
o Senhor já prolonga e dá qualidade à vida.
Optar pelos pobres é honrar a Deus.
O rico tem muitos amigos, mas não pode confiar em nenhum deles.
Não dá para esconder a tolice.
Uma das virtudes do justo é morrer bem.
O governante que se afasta das bases, se condena à ruína... É só uma questão de tempo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Diversas conversões


Meditação de: Pr. Ricardo Gondim


Já me converti várias vezes. Fui católico nominal e virei presbiteriano-reformado-calvinista. Depois migrei e ganhei o título de assembleiano-pentecostal-clássico. Mas o processo nunca parou. Experimentei mudanças bruscas em minha crença sobre milagre: saltei das orações despretensiosas e formais para agonizar de joelhos e ter intervenções divinas que resolvessem problemas, meus e dos que me pedissem ajuda.

Na maturidade, houve outras mudanças em minha caminhada religiosa. Abandonei projetos grandiosos, “billygrahaminianos”, de impactar o mundo; perdi ideias românticas sobre a “verdadeira igreja”; desiludi-me com as afirmações absolutas da teologia sistemática que pretende catalogar de forma exaustiva o que se deve saber sobre Deus e o mundo vindouro; desencantei-me com as lógicas da espiritualidade engrenada de “causa e efeito”; fugi da beligerância dos apologetas da “reta doutrina”.

Alguns amigos, inquietos com a minha rota, questionam se não há retorno, se estou mesmo decidido a permanecer no processo de repensar a fé e a espiritualidade. Pelas marretadas que já levei, pelos companheiros que já perdi e pelas censuras que já sofri, confesso que fui tentado a reconsiderar. Entretanto, voltar atrás, neste caso, seria um retrocesso covarde. Tudo o que entusiasma pede para ser aprofundado, alongado, problematizado, nunca esvaziado.

Para apagar o que absorvi sobre a relação com Deus

Eu precisaria negar que a mais linda revelação do evangelho é o esvaziamento de Deus na encarnação;


Eu precisaria afirmar que as portentosas narrativas bíblicas de milagre são jornalísticas e que servem para convencer os incrédulos de que Deus é poderoso;

Eu precisaria insistir em dizer que as condições sub-humanas dos que vivem em monturos de lixo fazem parte de um um plano traçado por Deus antes da criação. Não consigo imaginar-me falando: “Deus é soberano e decidiu que eles viveriam assim; e os porquês da Providência, só saberemos na eternidade”.

Eu precisaria pregar que Deus está em controle de todas as coisas, inclusive do estuprador que matou a adolescente, do fornos crematórios de Auschwitz, das machadadas que dizimaram Ruanda e da estupidez de Pol Pot no Camboja, que executou dois milhões de inocentes.

Eu precisaria escrever revistas de escola dominical para mostrar que as crianças são perversas, mentirosas, verdadeiras víboras em gestação, e que elas devem se arrepender o quanto antes e “aceitar Jesus” para não terminarem prematuramente no inferno.

Eu precisaria ensinar que sem o credo confessional dos evangélicos bilhões arderão no enxofre e que Deus se sentirá feliz e vingado ao ouvir o choro e o ranger de dentes dos condenados por toda a eternidade.

Eu precisaria postar textos na internet sobre o “direito” do Oleiro matar os miseráveis no Haiti. Teria de insistir que somos barro sem autoridade de questionar os atos do Senhor. Precisaria teimar no “mistério insondável” de Deus escolher exatamente os mais pobres para derramar o cálice de sua ira; e que é meu dever arregaçar as mangas e amenizar o sofrimento dos que foram vítimas do ódio de Javé, sempre ofendido pelo pecado.

Como não consigo voltar a essas lógicas, só me resta prosseguir na compreensão de Deus com outras premissas. Através de Jesus, tento entender o Divino. Como o Deus invisível nunca se deixou ver por ninguém, tenho apenas o rosto, as palavras e os gestos de Jesus para intui-lo. Faço revisão teológica sem grandes pretensões, não intento formar nenhum movimento, quero tão somente ser honesto com minhas, só minhas, inquietações.

Sim, pretendo experimentar novas conversões. De passo em passo, alargar meus parcos conhecimentos e minhas estreitas convicções. Mas como o Divino é oceano mais imenso que a soma das galáxias, tenho muita transformação pela frente.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Gente Feliz


Devocional de: Pr. Ariovaldo Ramos

Feliz é quem não segue os conselhos dos perversos: essa gente que sonega o direito; persegue o inocente; e, para quem, os fins justificam os meios.
Feliz é quem não relativiza o amar a Deus, acima de tudo, e o amar ao próximo, como a gente gosta de ser amado, como guia para toda a ação.
Feliz é quem sabe que toda a vida é sagrada, e a preserva.
Feliz é quem vive e anda com os justificados: promovendo o direito e preservando toda a vida.
Feliz é o que está plantado na comunidade dos declarados justos: onde esse amor é o modo de viver, e a vida, então, flui como um rio, que o faz crescer como uma árvore sempre verdejante.
Feliz é o que dá tempo ao tempo, e, no tempo certo, faz o que tem de fazer.
Feliz é o que sabe que o prazer não é um lugar, mas uma construção.
Feliz é o que medita em como ser gente como gente deve ser: que medita em como viver a partir do amar a Deus acima de tudo, e do amar ao próximo como a gente gosta de ser amado.
Feliz é quem anda nesse caminho onde a maldade não tem lugar: porque esse é o caminho de Deus!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Creio, descreio


Poema: Pr. Ricardo Gondim


Acredito na vírgula, descreio do ponto;

acredito na jangada, descreio do iate;

acredito na parábola, descreio da tese;

acredito na estrela, descreio do holofote;

acredito no taxista, descreio do político;

acredito na canja de galinha, descreio da homeopatia;

acredito na intuição, descreio da estatística;

acredito no milagre, descreio do dogma;

acredito no ramalhete, descreio do diamante;

acredito na serenata, descreio do funk;

acredito na abacatada, descreio da vitamina em pílula;

acredito na sertaneja, descreio da jornalista;

acredito no Espírito, descreio do teólogo;

acredito na poesia, descreio do fato.

Acredito na vida, acredito na vida

acredito na vida, acredito na vida...