quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
Súplica reeditada
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Natal dos Galhos Secos

Reflexão de: Ricardo Gondim
A estrada se alongava por infinitos quilômetros. Enquanto eu caminhava, braços secos, unhas compridas, tentáculos enormes tentavam me arrastar para dentro de uma ribanceira cinzenta. A caatinga de dezembro, que se fazia de morta para sobreviver à fúria do sol nordestino, ressuscitara só para me atormentar. Meu coração batia lento, num ritmo espaçado. Mas a cada batida, fazia estremecer meu corpo inteiro. Um medo se alastrou dentro de mim e eu suava nas palmas das mãos.
Hoje, passados quarenta anos, ainda caminho por aquela mesma estrada tortuosa e sinistra. Todos os anos, quatro dias antes do Natal, aquele dia revive em minha alma e ainda suo nas mãos.
Eu fora incumbido de levar uma má notícia ao meu tio que morava no sítio denominado de Amargoso. Mamãe, grávida de gêmeos, acabara de dar à luz. Nasceram um menino e uma menina. A menina, chamada Gelsa, não viveria. Sua existência se resumiria a apenas dois longos dias de sofrimento.
Mamãe enfrentara uma gravidez conturbada, devido a prisão de meu pai. Ainda recordo o beijo matinal que ela me dava durante o período em que o mantinham incomunicável. Era um beijo seco. A espera de um telefonema que traria a voz do seu homem, endurecia seus lábios. Toda gestação passou-se nessa agonia, que só acabou quando um jipe da aeronáutica trouxe um documento permitindo nossas visitas. Era mamãe quem conduzia os cinco filhos pela mão por alguns quilômetros até a porta do presídio. Mas, aquela antiga agonia se repetia nos procedimentos burocráticos que nos consumiam por horas; tardavam para não nos deixarem abraçar papai.
Assim, o padecer da Glícia se fez carne incompleta. Minha irmãzinha nasceu com o sistema digestivo imperfeito. Sem poder se alimentar, morreria de fome em dois dias.
Orei minhas primeiras preces por aquela estrada amedrontadora. Com minha sinceridade de criança, pedi que Deus curasse a Gelsinha e que Ele não permitisse torturarem minha mãe ainda mais. Roguei-lhe que preservasse meu pai de chorar na frente de seus algozes. Porém, Deus preferiu permanecer em silêncio. No dia 22 de dezembro, meu pai chorou e a tortura de minha mãe se tornou insuportável.
Soluços paternos ressoarão na noite deste Natal e muitas lágrimas maternais se desperdiçarão sem que haja alguém para enxugá-las. Deus parecerá distante e mudo em seu silêncio absoluto. Por isso, sinto que minha vocação é continuar viajando pelas mesmas estradas amedrontadoras de minha infância; não para levar notícias ruins, mas ser a boca de Deus, expressando novas alvissareiras. Desejo anunciar que se Deus habita no silêncio, ele não é indiferente. Quero ser seus braços para sustentar os frágeis e a resposta da prece das mães tristes. Quero que todos saibam que o Deus ausente se faz presente através de seus filhos.
Ele procura por quem se disponha encarnar sua presença entre mulheres e homens. Por isso, convido-lhe a me acompanhar por aquela estrada seca. Neste Natal, exorcizemos o medo; sejamos o consolo e a felicidade de alguém.
domingo, 18 de dezembro de 2011
A arte de ser feliz

sábado, 5 de novembro de 2011
O filho, o Pai e o filho (Parte 1)

Reflexão de: Felipe d'Oliveira
quinta-feira, 27 de outubro de 2011
Solitude

terça-feira, 18 de outubro de 2011
Naufrágio

| Mensagens do: Pr Arcélio Luis |
| Conservando a fé, e a boa consciência, porquanto alguns rejeitando-a fizeram naufrágio na fé. (Primeira carta de Paulo à Timóteo, capítulo 1 – versículo 19) O ano era 1912. A conquista era sem precedentes! Tratava-se da maior conquista humana em navegação e acabou como a maior tragédia náutica de todos os tempos! O Titanic era considerado tão seguro que não houve preocupação com botes salva vidas, pois se dizia que nada nem ninguém seria capaz de afundá-lo. A superestimação foi fatal para aquela embarcação, repleta de milionários, do inicio do século passado. O problema é que num naufrágio estar na primeira classe não garante a sobrevivência. A superestimação tornou fatal o desastre. A Bíblia sagrada, o Livro dos livros, o manual do Fabricando do homem, o Código da Eternidade, nos aconselha a não incorrermos no mesmo erro, dizendo: “Aquele que está em pé tome cuidado pra não cair.” (1 Coríntios 10.12). O próprio Senhor Jesus advertiu seus discípulos dizendo para não somente orarem, mas também vigiarem a fim de não cair em tentação. Na própria oração que o Senhor ensinou, famosamente conhecida como a “Oração do Pai Nosso”, contem o mesmo ensino sobre o perigo da tentação. O Experiente Apóstolo Paulo ao Escrever ao jovem pastor Timóteo adverte que esse naufrágio da fé vem pela perda da boa consciência, a qual nos mantém centrados, interiormente organizados, e pragmaticamente equilibrados. A consciência é descrita em diversas ocasiões na Bíblia como algo muito importante para não naufragar na fé. Segundo o dicionário Aurélio, Consciência é s.f. “Conhecimento, noção do que se passa em nós, percepção mais ou menos claras dos fenômenos que nos informam a respeito de nossa própria existência. Sentimento de dever, moralidade.” A consciência é como uma voz interna que nos defende ou nos condena, como se tivéssemos um tribunal infalível dentro de nós mesmos, independente de sermos ou não cristãos. Isto pode ser encontrado escrito com essa clareza em Romanos 2.15. Segundo a Palavra de Deus para não fazer naufrágio na fé a consciência precisa ser mantida limpa e pura (1 Timóteo 3.9), pelo esforço consciente. Paulo, apostolo, disse: “Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens.” (Atos 24.16). Além do esforço consciente existe uma ação do Espírito Santo direta na consciência para ajudar a impedir o naufrágio da fé, mas mesmo essa ação do Espírito Santo passa pela permissão da pessoa humana. Ainda citando Paulo, desta vez escrevendo aos romanos: “Digo a verdade em Cristo, não minto, dando comigo testemunho, no Espírito Santo, minha própria consciência”. (Romanos 9.1). Segundo as mesmas palavras de Paulo a Timóteo desta vez no capitulo 4, verso 2, a consciência pode muitas vezes ser cauterizada, e, nesse caso, a boca fica cheia de mentiras. Já uma boa consciência gera uma fé sem hipocrisia, sem falsidade, e sem mentiras, conforme pode claramente ser lido na mesma epístola de 1 Timóteo 1.5. Segundo o autor de Hebreus, quem conserva uma boa consciência vai buscar viver de maneira digna e honrada (Hebreus 13.18). Já uma pessoa que se deixa levar pela descrença e pela impureza pode chegar a um ponto de ver a consciência ficar completamente corrompida, conforme lemos em Tito 1.15. A difamação e a calúnia tem um poder corrosivo terrível, mas a consciência pura diante de Deus traz tranquilidade, mesmo quando somos severa e maliciosamente caluniados. Recentemente um membro do nosso ministério me contou que uma pessoa que havia nos abandonado fez certas calúnias, a maioria delas chega a ser engraçada, pela contradição nelas contidas. Outra pessoa me contou de um programa de rádio, do tipo “pastelão”, onde somente pessoas “baixíssimas” participam, que tal radialista me criticava inventando coisas absurdas (eu não assisto por dificuldade de ouvir gente desse nível), mas quando soube permaneci em paz, pelo simples fato de ter boa consciência para com Deus. “Fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo.” (1 Pedro 3.1). Não devemos fazer ou deixar de fazer as coisas por causa dos críticos ou por causa da punição divina, mas sim por causa da consciência. Isso é o que difere o Antigo do Novo Testamento, é o que difere o tempo de criança para o tempo da maturidade, difere o que tem aio, para o que não precisa mais de aio por causa da consciência pura, a qual só fica totalmente pura pela Palavra de Deus. Ou seja, no Antigo Testamento a lei impressa em tábuas de pedras advertia o homem de fora para dentro, mas a lei impressa na consciência pelo Espírito Santo nos adverte de dentro pra fora, e essa ultima advertência é extremamente mais eficaz, pois temos seus mandamentos impressos no coração. Assim obedecemos às autoridades não somente por medo da punição, mas principalmente por causa da consciência, não por causa do guarda, mas por causa da placa. “Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também por causa da consciência.” (Romanos 13.5). E não nos esquecemos que tal purificação da consciência que impede o naufrágio vem somente da Palavra de Deus. “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura”. (Hebreus 10.22). Shalom, Nele, em quem a consciência se mantém consciente no bote salva vidas da fé. |
segunda-feira, 17 de outubro de 2011
Ebenezer (1 Samuel 7.12)
