
Reflexão de: Felipe d'Oliveira



| Mensagens do: Pr Arcélio Luis |
| Conservando a fé, e a boa consciência, porquanto alguns rejeitando-a fizeram naufrágio na fé. (Primeira carta de Paulo à Timóteo, capítulo 1 – versículo 19) O ano era 1912. A conquista era sem precedentes! Tratava-se da maior conquista humana em navegação e acabou como a maior tragédia náutica de todos os tempos! O Titanic era considerado tão seguro que não houve preocupação com botes salva vidas, pois se dizia que nada nem ninguém seria capaz de afundá-lo. A superestimação foi fatal para aquela embarcação, repleta de milionários, do inicio do século passado. O problema é que num naufrágio estar na primeira classe não garante a sobrevivência. A superestimação tornou fatal o desastre. A Bíblia sagrada, o Livro dos livros, o manual do Fabricando do homem, o Código da Eternidade, nos aconselha a não incorrermos no mesmo erro, dizendo: “Aquele que está em pé tome cuidado pra não cair.” (1 Coríntios 10.12). O próprio Senhor Jesus advertiu seus discípulos dizendo para não somente orarem, mas também vigiarem a fim de não cair em tentação. Na própria oração que o Senhor ensinou, famosamente conhecida como a “Oração do Pai Nosso”, contem o mesmo ensino sobre o perigo da tentação. O Experiente Apóstolo Paulo ao Escrever ao jovem pastor Timóteo adverte que esse naufrágio da fé vem pela perda da boa consciência, a qual nos mantém centrados, interiormente organizados, e pragmaticamente equilibrados. A consciência é descrita em diversas ocasiões na Bíblia como algo muito importante para não naufragar na fé. Segundo o dicionário Aurélio, Consciência é s.f. “Conhecimento, noção do que se passa em nós, percepção mais ou menos claras dos fenômenos que nos informam a respeito de nossa própria existência. Sentimento de dever, moralidade.” A consciência é como uma voz interna que nos defende ou nos condena, como se tivéssemos um tribunal infalível dentro de nós mesmos, independente de sermos ou não cristãos. Isto pode ser encontrado escrito com essa clareza em Romanos 2.15. Segundo a Palavra de Deus para não fazer naufrágio na fé a consciência precisa ser mantida limpa e pura (1 Timóteo 3.9), pelo esforço consciente. Paulo, apostolo, disse: “Por isso, também me esforço por ter sempre consciência pura diante de Deus e dos homens.” (Atos 24.16). Além do esforço consciente existe uma ação do Espírito Santo direta na consciência para ajudar a impedir o naufrágio da fé, mas mesmo essa ação do Espírito Santo passa pela permissão da pessoa humana. Ainda citando Paulo, desta vez escrevendo aos romanos: “Digo a verdade em Cristo, não minto, dando comigo testemunho, no Espírito Santo, minha própria consciência”. (Romanos 9.1). Segundo as mesmas palavras de Paulo a Timóteo desta vez no capitulo 4, verso 2, a consciência pode muitas vezes ser cauterizada, e, nesse caso, a boca fica cheia de mentiras. Já uma boa consciência gera uma fé sem hipocrisia, sem falsidade, e sem mentiras, conforme pode claramente ser lido na mesma epístola de 1 Timóteo 1.5. Segundo o autor de Hebreus, quem conserva uma boa consciência vai buscar viver de maneira digna e honrada (Hebreus 13.18). Já uma pessoa que se deixa levar pela descrença e pela impureza pode chegar a um ponto de ver a consciência ficar completamente corrompida, conforme lemos em Tito 1.15. A difamação e a calúnia tem um poder corrosivo terrível, mas a consciência pura diante de Deus traz tranquilidade, mesmo quando somos severa e maliciosamente caluniados. Recentemente um membro do nosso ministério me contou que uma pessoa que havia nos abandonado fez certas calúnias, a maioria delas chega a ser engraçada, pela contradição nelas contidas. Outra pessoa me contou de um programa de rádio, do tipo “pastelão”, onde somente pessoas “baixíssimas” participam, que tal radialista me criticava inventando coisas absurdas (eu não assisto por dificuldade de ouvir gente desse nível), mas quando soube permaneci em paz, pelo simples fato de ter boa consciência para com Deus. “Fazendo-o, todavia, com mansidão e temor, com boa consciência, de modo que, naquilo em que falam contra vós outros, fiquem envergonhados os que difamam o vosso bom procedimento em Cristo.” (1 Pedro 3.1). Não devemos fazer ou deixar de fazer as coisas por causa dos críticos ou por causa da punição divina, mas sim por causa da consciência. Isso é o que difere o Antigo do Novo Testamento, é o que difere o tempo de criança para o tempo da maturidade, difere o que tem aio, para o que não precisa mais de aio por causa da consciência pura, a qual só fica totalmente pura pela Palavra de Deus. Ou seja, no Antigo Testamento a lei impressa em tábuas de pedras advertia o homem de fora para dentro, mas a lei impressa na consciência pelo Espírito Santo nos adverte de dentro pra fora, e essa ultima advertência é extremamente mais eficaz, pois temos seus mandamentos impressos no coração. Assim obedecemos às autoridades não somente por medo da punição, mas principalmente por causa da consciência, não por causa do guarda, mas por causa da placa. “Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também por causa da consciência.” (Romanos 13.5). E não nos esquecemos que tal purificação da consciência que impede o naufrágio vem somente da Palavra de Deus. “Aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura”. (Hebreus 10.22). Shalom, Nele, em quem a consciência se mantém consciente no bote salva vidas da fé. |


A humanidade é constante vai-e-vem. Avanços e retrocessos fazem a história alternar entre tragédia e farsa. Enquanto erradicamos a poliomielite, cometemos atrocidades. Revolucionamos as comunicações, mas permanecemos culpados dos mais horrorosos crimes.
No século XX, duas guerras mundiais se somaram a genocídios e extermínios étnicos para alterar, definitivamente, filosofia e teologia. Positivismo virou ingenuidade – quem ainda acredita no mito do progresso?
Em algum lugar, no Pentágono, numa cova rasa do Camboja, num escombro de Ruanda, jazem os ossos do “bom selvagem” de Jean-Jacques Rousseau. De Camus a Martin Luther King se discorreu sobre o “mal profundo” que aleija a humanidade. Ele existe. Entre luzes e sombras, a história se alonga, malévola, com miséria, aniquilamento de culturas, e muita, muita, dor.
Antigas formulações sobre Deus, desapareceram. Hemingway colocou na boca de Robert Jordan, personagem de “Por quem os sinos dobram”, o porquê de seu ateísmo. Para o autor, que testemunhara os horrores da Guerra Civil da Espanha, Deus não existe: “se existisse, Ele não teria permitido que eu visse o que vi com estes meus olhos”.
Por outro lado, escancarados os campos de concentração nazista, ficou claro que monstros existem. E como se multiplicam! Elie Wiesel narrou o dia em que assistiu ao enforcamento de um menino no pátio do campo onde estava preso. Perfilado, viu a criança agonizar, pendurada por minutos que pareciam uma eternidade. Ele lembra que o menino tinha “os olhos de um anjo feliz”. Na fila, Wiesel ouviu alguém perguntar: “Onde está Deus? Onde ele está? Onde está Deus, então?”. Uma voz respondeu em seu próprio coração: “Onde ele está? Ei-lo – está aqui, pendurado nesta forca”. Deus estava morto e o facínora, vivo.
Nunca testemunhei tantos horrores. Mas o pouco que vi bastou para eu refazer conceitos. Revisei o que entendia por Deus. Remexi na compreensão da vida. Distingui esperança de ilusão, ideal de compromisso, ingenuidade de realismo e comecei o árduo processo de reconstruir-me sem o imobilismo do pessimismo e sem a superficialidade do otimismo.
Depois de várias reformas, continuo a acreditar na possibilidade da vida, no potencial humano e no aparecimento de artesãos da história. Mesmo quando o encarceramento da bondade parece inexorável, vejo a bondade humana como a erva que rompe o cimento. Sob camadas de iniquidade, a virtude consegue vingar. Vinho bom pode vir do lagar onde se esmagam as uvas da ira. Creio no bem que ressurge, teimoso, como força existencial. Vivo com a esperança, sei que ventos imprevisíveis reacendem o pavio que fumega.
Vinicius de Moraes, logo após a II Guerra Mundial, em 1946, disse que “o pranto que choramos juntos há de ser água para lavar dos corações o ódio e das inteligências o mal entendido”. Sim, a humanidade é viável – caso contrário já estaria sepultada com os dinossauros – mesmo em meio a tanta ferocidade.
A maldade, mesmo universal, mesmo arraigada, não conseguiu asfixiar o bem. Os patifes têm maior visibilidade, os canalhas amedrontam, sórdidos intimidam, contudo, “onde abundou o pecado, superabundou a graça”. Por mais que o ímpio resfolegue ódio e o tirano oprima, a morte os alcançará. Eles passarão e o lento fluir da história continuará. Basta um fiapo de luz para que se desperte fome e sede de justiça em alguém. De onde menos se espera nascerão vigorosos esforços de paz.
Os Judas, os Brutus, os Pinochets, os Husseins, os Bushes, sumirão pelo esgoto da irrelevância. No fim, quando o Diretor da peça entrar no palco e avisar que o espetáculo acabou, o malvado será apenas uma nódoa. Ele próprio se condenará como personagem da Divina Comédia. E deixará, como único legado, a possibilidade de gerar indignação nos que acreditam em outro mundo possível.
Mesmo na sordidez contemporânea, o justo acena com a aurora de uma Nova Cidade; aguarda, como sentinela, a luz da aurora virar dia perfeito. O profeta do desespero tenta, mas homens e mulheres de bem resistem. É necessário que lampejos de esperança brotem nos atos simples de bordadeiras, poetisas, teólogas, operários, jornalistas, lavradores.
O milênio começou com poucas opções. Carpideiras choram no velório dos ideais – foram contratadas para despistar a festa do Grande Capital. Na ressaca do baile progressista, alguns não acreditam que sobará ânimo para o enfrentamento do desastre sócio-ambiental. Entretanto, a Imago Dei – imagem de Deus – nos olhos das crianças convida a humanidade a não entregar os pontos.
A doença que nos aflige não é para a morte. Ainda dá para virar o jogo. Enquanto pequeninos mantiverem louvor à vida e homens e mulheres não se ajoelharem no altar do cinismo, a promessa continua de pé: “Os mansos herdarão a terra”.

Jesus foi o maior de todos os mestres. Seus discípulos o chamaram de mestre. Ele mesmo se apresentou como mestre e até seus inimigos reconheceram que ele era mestre. Jesus foi o maior de todos os mestres por causa da variedade de seus métodos e por causa da sublimidade de sua doutrina. Jesus não foi um alfaiate do efêmero, mas um escultor do eterno. Sendo o Mestre dos mestres, o maior comunicador de todos os tempos, Jesus usou com perícia invulgar importantes conexões em sua comunicação. Quero ilustrar esse fato incontroverso com suas cartas endereçadas às igrejas da Ásia Menor. Visitando as ruínas dessas históricas cidades recentemente, pude constatar de forma inequívoca essas conexões usadas por Jesus. Vejamos, por exemplo a carta enviada à igreja de Laodicéia. 1. Jesus usou a conexão geográfica. Laodicéia era uma rica cidade situada no Vale do Lico, uma fértil região, entre as cidades de Hierápolis e Colossos. Hierápolis é uma fonte termal, de onde jorram águas quentes do topo de uma montanha branca, chamada castelo de algodão. Essas águas quentes eram terapêuticas. Em Colossos, do outro lado do vale, ficavam as fontes de águas frias, também terapêuticas. Porém, Laodicéia não tinha fontes de águas. Suas águas vinham por meio de dutos desde as montanhas e chegavam à cidade mornas e sem qualquer efeito terapêutico. Jesus usa essa conexão geográfica para dirigir-se à igreja, dizendo-lhe: “Conheço as tuas obras, que nem és quente nem frio. Quem dera fosses frio ou quente. Assim, porque és morno nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca”. 2. Jesus usou a conexão econômica. Das três cidades do Vale do Lico, Laodicéia era a mais rica. Era um poderoso centro comercial. O comércio de ouro vindo de Sardes era famoso. A cidade era um dos maiores centros bancários da Ásia Menor. A igreja longe de influenciar a cidade, foi por ela influenciada. Ao olhar-se no espelho, julgou-se rica e abastada. Jesus, porém, repreende a igreja afirmando que ela era pobre e miserável e deveria comprar ouro puro para se enriquecer. Conforme o ensino de Jesus a riqueza material não é sinônimo de prosperidade espiritual. 3. Jesus usou a conexão industrial. Laodicéia era famosa pela indústria têxtil. A lã de cor escura, fabricada em Laodicéia, era famosa em toda a Ásia Menor. A cidade tinha orgulho de sua indústria têxtil. Jesus usa esse gancho para exortar a igreja, ordenando-lhe a comprar vestes brancas para se vestir, a fim de que sua vergonha não fosse manifesta. 4. Jesus usou a conexão científica. Laodicéia era o maior centro oftalmológico do Império Romano. Naquela cidade asiática fabricava-se o pó frígio, um remédio quase milagroso na cura das doenças dos olhos. Pessoas de todos os cantos do mundo viajavam para essa próspera cidade em busca de tratamento. Na cidade mais importante do mundo no tratamento de doenças dos olhos, havia uma grande cegueira espiritual, que estava atingindo a própria igreja. Então, Jesus exorta a igreja a comprar colírio para ungir os seus olhos, a fim de ver com clareza as realidades espirituais. A mensagem do evangelho é imutável. Ela atravessa os séculos e não sofre variação. Porém, precisamos conhecer a geografia, a história e a cultura da cidade onde estamos inseridos, para fazermos conexões oportunas e pertinentes na comunicação do evangelho. Precisamos ler o texto e o contexto; precisamos interpretar a palavra e o povo. John Stott, um dos maiores expositores bíblicos de todos os tempos, falecido no dia 27 de julho de 2011, disse acertadamente que o sermão é uma ponte entre dois mundos: o texto antigo e o ouvinte contemporâneo. Que Deus nos ajude a abrir os olhos espirituais para fazermos as conexões necessárias, a fim de comunicarmos com mais eficácia a mensagem gloriosa do evangelho.

Reflexão de: Pr. Ricardo Gondim
Perguntas martelam noite e dia: Infantis, por que ainda não deixamos de nadar no útero cósmico? O lago do mistério nunca tem margem? Não se conhece quem pode decifrar o enigma da angústia? A realidade dos sonhos, que expõe o universo do inconsciente, não seria ainda mais real que o mundo estreito da consciência?
Intuímos as respostas, sentados ou correndo. Sabemos que nunca nos acostumaremos com imensidões. A vida, imensurável, permanecerá complexa demais e nosso tempo por aqui, bem curtinho.
Temos medo do vazio. Entupimos os dias com barulhos. Divertimos a alma com lantejoulas falsas. Mas, talvez o imarcescível só caiba no vazio.
O Tao ensina:
Trinta raios unem um eixo,
A utilidade da roda vem do vazio.
Queima-se o barro para fazer o pote.
A utilidade do pote vem do vazio.
Rasgam-se janelas e portas para criar o quarto.
A utilidade do quarto vem do vazio.
Portanto,
Ter leva ao lucro,
Não ter leva ao uso.
Talvez a vida esteja na coragem de conviver com esse vazio, de nada ter senão a nós mesmos. A respostas que tanto procuramos podem não ser respostas, mas o desvencilhar-se de pesos. Viver talvez seja se por no Caminho. Quem sabe, longe das demandas da competência, sem as vozes da cobrança, consigamos vencer os dragões que impedem de achar o verdadeiro self, essência de nós mesmos.
O Nazareno avisou: “quem quiser ganhar a vida vai perdê-la e quem ousar perder a sua vida vai ganhá-la”. O Espírito enche, mas precisa encontrar vasos vazios. Não seria esse, precisamente esse, o segredo de construir-se humano?