terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Sábio

Texto de: Pr. Ariovaldo Ramos

Diário de Bordo

Pv 14

O sábio edifica a casa; caminha com retidão e em silêncio; sabe que não há benefício sem custo; é prudente, porque a prudência é o nascedouro da sabedoria; aprende com a vida, principalmente a sua; é benevolente com o pecador; desconfia de si; tem uma alegria cônscia da tristeza; vigia o seu coração; confere pela pesquisa a informação que recebe; diz a verdade; desvia-se do mal e da iracúnia; busca o conhecimento; é compassivo e pratica o bem; é apegado ao trabalho; respeita a Deus; é longânimo, pois entende o que acontece com o outro, e busca ter sentimentos sadios; sabe que só é possível governar a partir das bases populares, e opta pelo pobre, porque só com justiça se faz uma nação.

Aforismos:

A inveja apodrece os ossos.
A impaciência é loucura.
As palavras do tolo o condenam.
A sujeira a ser limpa no estábulo deve equivaler à força disposta na aragem da terra,
Só os que levam a vida a sério alcançam sabedoria.
É o fim e não a aparência que deve determinar que caminho assumir.
Só o tolo acha que há efetividade na raiva.
A fala que não se traduz em ação, empobrece em todos os sentidos.
O só respeitar
o Senhor já prolonga e dá qualidade à vida.
Optar pelos pobres é honrar a Deus.
O rico tem muitos amigos, mas não pode confiar em nenhum deles.
Não dá para esconder a tolice.
Uma das virtudes do justo é morrer bem.
O governante que se afasta das bases, se condena à ruína... É só uma questão de tempo.

domingo, 22 de agosto de 2010

Diversas conversões


Meditação de: Pr. Ricardo Gondim


Já me converti várias vezes. Fui católico nominal e virei presbiteriano-reformado-calvinista. Depois migrei e ganhei o título de assembleiano-pentecostal-clássico. Mas o processo nunca parou. Experimentei mudanças bruscas em minha crença sobre milagre: saltei das orações despretensiosas e formais para agonizar de joelhos e ter intervenções divinas que resolvessem problemas, meus e dos que me pedissem ajuda.

Na maturidade, houve outras mudanças em minha caminhada religiosa. Abandonei projetos grandiosos, “billygrahaminianos”, de impactar o mundo; perdi ideias românticas sobre a “verdadeira igreja”; desiludi-me com as afirmações absolutas da teologia sistemática que pretende catalogar de forma exaustiva o que se deve saber sobre Deus e o mundo vindouro; desencantei-me com as lógicas da espiritualidade engrenada de “causa e efeito”; fugi da beligerância dos apologetas da “reta doutrina”.

Alguns amigos, inquietos com a minha rota, questionam se não há retorno, se estou mesmo decidido a permanecer no processo de repensar a fé e a espiritualidade. Pelas marretadas que já levei, pelos companheiros que já perdi e pelas censuras que já sofri, confesso que fui tentado a reconsiderar. Entretanto, voltar atrás, neste caso, seria um retrocesso covarde. Tudo o que entusiasma pede para ser aprofundado, alongado, problematizado, nunca esvaziado.

Para apagar o que absorvi sobre a relação com Deus

Eu precisaria negar que a mais linda revelação do evangelho é o esvaziamento de Deus na encarnação;


Eu precisaria afirmar que as portentosas narrativas bíblicas de milagre são jornalísticas e que servem para convencer os incrédulos de que Deus é poderoso;

Eu precisaria insistir em dizer que as condições sub-humanas dos que vivem em monturos de lixo fazem parte de um um plano traçado por Deus antes da criação. Não consigo imaginar-me falando: “Deus é soberano e decidiu que eles viveriam assim; e os porquês da Providência, só saberemos na eternidade”.

Eu precisaria pregar que Deus está em controle de todas as coisas, inclusive do estuprador que matou a adolescente, do fornos crematórios de Auschwitz, das machadadas que dizimaram Ruanda e da estupidez de Pol Pot no Camboja, que executou dois milhões de inocentes.

Eu precisaria escrever revistas de escola dominical para mostrar que as crianças são perversas, mentirosas, verdadeiras víboras em gestação, e que elas devem se arrepender o quanto antes e “aceitar Jesus” para não terminarem prematuramente no inferno.

Eu precisaria ensinar que sem o credo confessional dos evangélicos bilhões arderão no enxofre e que Deus se sentirá feliz e vingado ao ouvir o choro e o ranger de dentes dos condenados por toda a eternidade.

Eu precisaria postar textos na internet sobre o “direito” do Oleiro matar os miseráveis no Haiti. Teria de insistir que somos barro sem autoridade de questionar os atos do Senhor. Precisaria teimar no “mistério insondável” de Deus escolher exatamente os mais pobres para derramar o cálice de sua ira; e que é meu dever arregaçar as mangas e amenizar o sofrimento dos que foram vítimas do ódio de Javé, sempre ofendido pelo pecado.

Como não consigo voltar a essas lógicas, só me resta prosseguir na compreensão de Deus com outras premissas. Através de Jesus, tento entender o Divino. Como o Deus invisível nunca se deixou ver por ninguém, tenho apenas o rosto, as palavras e os gestos de Jesus para intui-lo. Faço revisão teológica sem grandes pretensões, não intento formar nenhum movimento, quero tão somente ser honesto com minhas, só minhas, inquietações.

Sim, pretendo experimentar novas conversões. De passo em passo, alargar meus parcos conhecimentos e minhas estreitas convicções. Mas como o Divino é oceano mais imenso que a soma das galáxias, tenho muita transformação pela frente.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Gente Feliz


Devocional de: Pr. Ariovaldo Ramos

Feliz é quem não segue os conselhos dos perversos: essa gente que sonega o direito; persegue o inocente; e, para quem, os fins justificam os meios.
Feliz é quem não relativiza o amar a Deus, acima de tudo, e o amar ao próximo, como a gente gosta de ser amado, como guia para toda a ação.
Feliz é quem sabe que toda a vida é sagrada, e a preserva.
Feliz é quem vive e anda com os justificados: promovendo o direito e preservando toda a vida.
Feliz é o que está plantado na comunidade dos declarados justos: onde esse amor é o modo de viver, e a vida, então, flui como um rio, que o faz crescer como uma árvore sempre verdejante.
Feliz é o que dá tempo ao tempo, e, no tempo certo, faz o que tem de fazer.
Feliz é o que sabe que o prazer não é um lugar, mas uma construção.
Feliz é o que medita em como ser gente como gente deve ser: que medita em como viver a partir do amar a Deus acima de tudo, e do amar ao próximo como a gente gosta de ser amado.
Feliz é quem anda nesse caminho onde a maldade não tem lugar: porque esse é o caminho de Deus!

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Creio, descreio


Poema: Pr. Ricardo Gondim


Acredito na vírgula, descreio do ponto;

acredito na jangada, descreio do iate;

acredito na parábola, descreio da tese;

acredito na estrela, descreio do holofote;

acredito no taxista, descreio do político;

acredito na canja de galinha, descreio da homeopatia;

acredito na intuição, descreio da estatística;

acredito no milagre, descreio do dogma;

acredito no ramalhete, descreio do diamante;

acredito na serenata, descreio do funk;

acredito na abacatada, descreio da vitamina em pílula;

acredito na sertaneja, descreio da jornalista;

acredito no Espírito, descreio do teólogo;

acredito na poesia, descreio do fato.

Acredito na vida, acredito na vida

acredito na vida, acredito na vida...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O Perfil de um homem de Deus


Pastorial de: Rev. Hernandes Dias Lopes


O apóstolo Paulo, escrevendo sua primeira carta à igreja de Tessalônica, no capítulo 2:1-12, fala sobre o perfil de um homem de Deus. Ele abre o seu coração e dá o seu próprio testemunho, lançando luz sobre esse momentoso tema. Qual é o perfil de um homem de Deus?


UM MORDOMO FIEL(1 Ts 2:1-6)
A Paulo tinha sido confiado o Evangelho (2:4). A mensagem do evangelho é um tesouro que foi confiado a nós. A função do mordomo não é ser popular aos olhos dos homens, mas fiel aos olhos de Deus (2:4).
Paulo sofreu várias acusações dos seus opositores em Tessalônica: acusaram-no de ser ganancioso, bajulador, egoísta e ditador. Paulo faz sua defesa mostrando como foi o seu ministério entre eles. Nos versos 1-2, ele e Silas se dispõem a pregar a Palavra em Tessalônica depois de serem presos e açoitados em Filipos. No verso 3 ele revela que sua motivação em pregar o evangelho era absolutamente pura. Nos dias de Paulo a religião era um meio de fazer dinheiro (2:5). Mas Paulo dá testemunho de sua integridade nessa área financeira (2 Ts 3:8-10). Paulo era um obreiro muito atento à transparência na questão do dinheiro (1 Co 9:1-18). Nos versos 3-6 Paulo afirma que não usava artifícios humanos para atrair pessoas à igreja. Ele acreditava no poder do Evangelho para fazer isso (1:5). Diante das falsas acusações, Paulo apelou para o testemunho dos homens e de Deus. Ele responde aos seus adversários com seu testemunho pessoal diante de todos: "Assim como sabeis" (1:5;2:1,5,11;3:3-4;4:2;5:2) e seu testemunho diante de Deus (2:5). Sua consciência estava limpa diante de Deus e diante dos homens (At 24:16).


UMA MÃE AMOROSA (v. 7-8)
A ênfase do mordomo é fidelidade. A ênfase da mãe é gentileza. Como um apóstolo ele tinha autoridade, mas ele sempre a exerceu em amor. Paulo era como uma mãe afetuosa cuidando do seu bebê. Quais são as características de uma mãe afetuosa? 1) Provisão diária (2:7); 2) abnegação sacrificial (2:8); 3) afeto explícito (2:7); 4) sacrifício cabal (2:8). O papel de mãe não é fácil de ser exercido por um obreiro (Nm 11:12), mas se os obreiros não alimentarem os seus filhos na fé com o leite da Palavra, eles jamais poderão ser crentes maduros (Hb 5:10-14).


UM PAI PREOCUPADO (v. 9-12)
Paulo se considera pai espiritual dos crentes de Tessalônica (2:11) da mesma forma que dos crentes de Corinto (1 Co 4:15). O pai, entretanto, não é apenas aquele que gera, mas, sobretudo, aquele que cuida. Na sua defesa contra os acusadores, Paulo destaca três dos seus deveres como pai espiritual.
1) Seu trabalho (2:9) – O pai trabalha para sustentar a família. Embora a igreja de Filipos tivesse enviado dinheiro para ajudá-lo em Tessalônica (Fp 4:15-16), Paulo ainda tinha que trabalhar para se sustentar. Ninguém podia acusá-lo de estar no ministério por ganância financeira.
2) Seu procedimento (2:10) – Os pais devem ser bons exemplos para os seus filhos. Paulo diz que os crentes e Deus são testemunhas de como procedeu entre eles. 1) Sua vida era piedosa – Relação correta com Deus. 2) Sua vida era justa – Relação correta consigo. 3) Sua vida era irrepreensível – Relação correta com os outros. Seus inimigos podiam acusá-lo, mas nada encontravam para o envergonhar.
3) Suas palavras (2:11-12) – Um pai não apenas suporta a família trabalhando e ensinando pelo exemplo, mas também toma tempo para falar aos filhos. Paulo sabia da importância de ensinar os novos crentes. 1) Paulo ensinava não apenas coletivamente, mas a cada um individualmente (2:11); 2) Paulo encorajava os crentes como a filhos (2:12a); 3) Paulo consolava os crentes (2:12b); 4) Paulo admoestava os crentes (2:12c). Mas qual era o propósito de Paulo ao ensinar os seus filhos? É para que eles vivessem de modo digno de Deus (2:12). Que à semelhança do apóstolo Paulo, sejamos homens de Deus!

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Em nome da conveniência

Texto do: Pr. Ariovaldo Ramos

Já reparou como as pessoas usam pejorativamente a expressão “viado” para referir-se a um homossexual? Pois a vida é assim. Viado é sempre o outro. Os da nossa família são homossexuais mesmo. Fica até bonito pela pompa no jeito de falar. Igualmente há diversas expressões convenientes. Eu particularmente nunca vi um EMO que se assumisse. Emo é o outro. Quando referindo-se a si mesmo, chovem atributos convenientes… passando pelo rótulo de hardcore melódico… e chegando ao power pop.

Rótulos são sempre desprezíveis, pois invariavelmente são baseados em julgamentos segundo a aparência. Exatamente o tipo de julgamento que somos proibidos de fazer. No entanto, nem todo julgamento é ilícito, já que devemos julgar todas as coisas para retermos apenas o que é bom. Julgar neste contexto refere-se a aplicar os valores do Reino de Deus seguindo a metodologia da reta justiça e da misericórdia.

Porém a conveniência subjuga o bom senso da maioria. Pessoas são rápidas em condenar outras pessoas… e mais rápidas ainda em elogiar outras.

Exemplos? Tenho visto muitas pessoas que idolatram o Caio Fábio. Particularmente simpatizo muito com as idéias do Caio. Com excessão da insistência dele em retrucar outros fanfarrões do meio evangélico. Em meus ouvidos isto soa como um cristianismo hipócrita… incapaz de dar a outra face. Incapaz de perdoar e tocar a vida. Baseado na máxima “faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”.

Porém, não possuo autoridade alguma para condenar o Caio. Se ele é um filho do Reino ou apenas uma mula de Balaão, o tempo o revelará. Cabe a mim apenas filtrar suas palavras através do Evangelho… retendo o que é bom; e não me contaminando com o que não faz sentido.

Como eu disse, não tenho nada contra o Caio. Mas estou farto de idiotas que o idolatram. Amam a sua igreja que, por mais que afirmem que não é uma igreja, É UMA IGREJA no sentido mais institucional da palavra. E desprezam todas as demais… como se a verdade estivesse exclusivamente alí.

Esta exclusividade é contraditória com os valores do Reino. Por isso registro minha indignação com aqueles que supervalorizam o trabalho DE FORA e rejeitam a correção dos que estão perto. Fazer parte de UM CAMINHO que não envolva convívio pessoal é o mesmo que buscar o comodismo. Pois não importa o quanto seu pastor seja um saco… os anos revelam que TODOS NÓS TAMBÉM SOMOS.

A perspectiva de que apenas nós é que somos “legais”, é ridícula. A perspectiva de que apenas o pastor tal, ou o ministério tal PRESTA, é mais ridícula ainda. Somos idiotas… mesquinhos, interesseiros… e que buscam apenas conforto e conveniência. Por isso amamos os pregadores de longe… pois não precisamos prestar contas a ninguém. Se bem que não importa a distância. NINGUÉM É OBRIGADO a submeter-se. Mas ao mesmo tempo todos que fazem parte do legítimo CAMINHO não resistem e submetem-se voluntariamente. Não é pela obrigação… mas por que conhecemos o propósito de nossa existência. Sabemos que servir é parte inegociável da vida. Não prestamos para mais nada.

E assumindo que todos são passíveis de errar, torna-se simples conviver com as diferenças. Sem a hipocrisia de dizer que conviver com o pecado alheio nos faz igualmente pecadores. Pois Jesus conviveu com Judas durante todo o seu ministério. E ele sabia tanto das maracutaias financeiras de suas “administração”, quanto dos planos secretos para traí-no “no final do filme”. Ainda sim o Mestre o tolerou.

Por isso caro amigo hipócrita, lute sim contra os valores distorcidos das igrejas em que fazermos parte. Combata a ganância, a mentira e a hipocrisia pastoral. Mas ao mesmo tempo seja paciente e misericordioso. Pois se estes atributos lhe faltarem, definitivamente você será incapaz de caminhar junto com qualquer pastor.

Vacine-se contra o veneno pastoral.
E seja a cura para a Igreja de Cristo.

Não será fácil. Irá doer e custar caro.
Mas talvez não haja outro caminho para você.

Portanto aprenda a honrar os pecadores ao seu redor. E exercite a piedade e misericórdia.
Acredite. As pessoas saberão distinguir o que é falso quando forem confrontadas com a verdade.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Priorizamos o que é importante?


Devocional do: Pr. Ariovaldo Ramos


Numa convocação de oração para homens, mais de 200 prontamente responderam. Coisa bonita de se ver. Dois mil anos de cristianismo e ainda está viva a chama que faz com que pessoas deixem o conforto de suas casas para reunirem-se num lugar afastado, longe da civilização, para contemplarem os céus e participarem de momentos intensos de oração coletiva.
Mas então não pude deixar de reparar na ORDEM com que as orações acabaram por ser dirigidas. E isto sinceramente me incomoda muito. Principalmente por que não estou falando do erro alheio, mas de erros dos quais eu sou cúmplice.
As orações foram realizadas na seguinte ordem: para os empresários; para as autoridades; para os autônomos; para os artistas e médicos; para os professores…
Então imediatamente imaginei como seria a figura de Cristo mobilizando um grupo de oração. Ele chamaria seus doze discípulos e dirigiriam-se a um certo “monte” afastado. E lá começariam orando na seguinte ordem: primeiro para o Império Romano; depois para os Fariseus; para os Saduceus; para os Publicanos cobradores de impostos…
Ei! Pera lá! Jesus jamais fez estas orações. E afirmava que o seu Reino não era deste mundo. Que nada tinha a ver com este modelo de organização social e política estabelecidos. Este mundo, seus líderes e seus interesses, apesar de estarem debaixo da autoridade divina, ainda sim não fazem parte DO REINO.
Jesus não serviria para ser pastor em uma igreja evangélica contemporânea. Por que sua insistência em orar prioritariamente pelos perdidos, pelos abandonados, pelas viúvas, pelos órfãos, pelos que sofrem… por todas as ovelhas perdidas… ahhh… essa insistência de Jesus o desqualifica para o nosso sistema.
Somos melhores que Cristo?
Então por que nossos interesses são tão divergentes dos valores do Reino?
Ou será que minha bíblia está errada?
Priorizamos o que é realmente importante?